100 momentos: Estreia do TUP – U.P.

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Em meados do século XX, as cortinas do palco do Teatro Rivoli abriram-se pela primeira vez àquele que, não sendo o primeiro, é ainda hoje o mais representativo grupo de teatro nascido no seio da Universidade do Porto: o Teatro Clássico Universitário do Porto, actual Teatro Universitário do Porto (TUP).

Publicação: U.Porto 100 (centenário) [Link]

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Estreia do Teatro Universitário do Porto – 13 de Dezembro de 1948

O Teatro Clássico Universitário do Porto apresentou-se, ontem, pela primeira vez, em público e diga-se, desde já, que se merece louvores a sua criação, igualmente têm direito a elogios todos aqueles que colaboraram neste espectáculo de arte e bom gosto. Num meio como o nosso, onde há uma Universidade, impunha-se a criação deste Teatro não só para completar o ensino dos que estudam mas ainda para conhecimento dos que sentem pelo teatro verdadeiro culto. (in O Primeiro de Janeiro, 14 de Dezembro de 1948)

Em meados do século XX, as cortinas do palco do Teatro Rivoli abriram-se pela primeira vez àquele que, não sendo o primeiro, é ainda hoje o mais representativo grupo de teatro nascido no seio da Universidade do Porto: o Teatro Clássico Universitário do Porto, actual Teatro Universitário do Porto (TUP).

Na génese do TUP esteve a vontade de alguns estudantes da U.Porto liderados por Hernâni Monteiro, professor da Faculdade de Medicina e primeiro director do grupo. A iniciativa mereceu então o apoio do Reitor, Amândio Tavares, e do director do Centro de Estudos Humanísticos – em cuja secção de teatro clássico ficou integrado o novo grupo – bem como de vários representantes da indústria e do comércio portuenses.

Foi assim sobre uma base alargada de consenso que o TUP protagonizou a sua estreia absoluta na noite de 13 de Dezembro de 1948, com a representação das peças Filodemo, de Luís Vaz de Camões, e O Fidalgo Aprendiz, de D. Francisco Manuel de Melo, e ainda de duas cenas (em castelhano) adaptadas do dramaturgo espanhol Tirso de Molina. Mas “ousadia seria, nestas ligeiras notas sobre um belo espectáculo que só pecou pela extensão, falar das obras representadas”, realçava o Primeiro de Janeiro no dia seguinte. Em vez disso, elogiava as “acentuadas qualidades para o género” demonstradas por “todos os componentes do Teatro Clássico, sob a direcção do antigo actor Abílio Alves”.

De então para cá, e ao longo de mais de 60 anos de história, o TUP notabilizou-se pelo contributo que deu para a difusão do teatro independente no Porto, graças à aposta em autores inéditos em Portugal e a uma clara vocação para a exploração de diferentes registos dramáticos. Fazendo suas, casas como as salas do Rivoli e do Coliseu ou ainda o Centro Universitário e as faculdades da U.Porto, o grupo conheceu outros momentos de glória um pouco por todo o país e fora dele, destacando-se a digressão a Moçambique no Verão de 1962, alvo de ampla cobertura pela imprensa da época.

Composto actualmente por um núcleo duro de cerca de dez elementos, o TUP continua a produzir, encenar e representar vários espectáculos por ano, participando ainda em festivais de teatro em Portugal e no estrangeiro. Paralelamente, desenvolve uma importante acção formativa, através da realização de workshops de teatro e de dança, bem como de cursos de Iniciação ao Teatro.