Já Gastámos as Palavras no P3

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“Já várias vezes tentei falar sobre este projecto e não consigo. Por mais que tente, não consigo”. O P3 insistiu. “Vivemos numa sociedade que muda a uma velocidade alucinante e passamos pelas coisas sem as vivermos realmente porque… não temos tempo. Cada vez temos menos tempo. Porque ele foge-nos pelos dedos das mãos”

Publicação: P3

Autor: Teresa Pacheco Miranda

Data da Publicação: 15/01/2014

Gestos que não podem ser explicados por palavras

“Já várias vezes tentei falar sobre este projecto e não consigo. Por mais que tente, não consigo”. O P3 insistiu. “Vivemos numa sociedade que muda a uma velocidade alucinante e passamos pelas coisas sem as vivermos realmente porque… não temos tempo. Cada vez temos menos tempo. Porque ele foge-nos pelos dedos das mãos”, respondeu Victor Hugo Pontes, coreógrafo da peça “Já Gastámos as Palavras”, até 18 de Janeiro no TUP (Teatro Universitário do Porto). “Edward Hopper disse: ‘Se eu pudesse exprimir-me por palavras, não teria razões para pintar’. Provavelmente, ‘Já Gastámos as Palavras’ e agora apenas conseguimos exprimir-nos através dos gestos. Estes gestos não podem ser explicados por palavras: se pudéssemos dizê-los, não haveria razão para dançá-los”. Esta peça nasceu da vontade de explorar uma linguagem diferente por parte do TUP. O ponto de partida é o corpo em movimento — e não um texto. Está dito. Sem pressa.