História do TUP

  • SumoMe

Em 1948, aos treze dias de Dezembro, o Teatro Universitário do Porto nasce com vontade própria, comum a um grupo de estudantes da Universidade do Porto, e teve em Hernâni Monteiro, professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, o seu primeiro dirigente. A partir de 1953, sob direcção de Correia Alves, o TUP dá os primeiros passos na tríade que desde então lhe serve como matriz: formação, renovação e experimentação. Numa época de silêncio imposta pelo regime salazarista, ousou o TUP levar à cena textos de autores como Synge, Thornton Wilder, Tennessee Williams, Aristófanes, Buero Vallejo e Lope de Vega, sendo, ao lado de outros (raros) colectivos, como o TEP, um organismo falante, denunciante, idealisticamente alternativo – vivo.

O frenesi da denúncia e os anos revolucionários que se lhe seguiram, fizeram com que também o TUP acompanhasse o desenrolar dos tempos, atento, sempre, às linhas com que se foi tecendo a vida portuguesa nestas últimas décadas. Alargou-se, assim, a área de acção para um cada vez mais assertivo pendor experimental, traduzido principalmente na procura de novas formas de levar a arte e a cultura a cena. Abrimos os braços e levámos, também, estas formas novas a passear fora da cidade, marcando presença em festivais como o MITEU, em Ourense (Espanha), o FATAL, em Lisboa e o Festival Internacional de Teatro de Liège, sendo o TUP reconhecido nos primeiros dois, com Alan, de 2010, encenado por António Júlio, a regressar com o primeiro prémio.

Mas deixemo-nos de cronologias.

A História do TUP vive do que está escrito e assente, mas existe principalmente no que não é mero dado, ou facto. Por isso mesmo, mais do que discorrer o á-bê-cê dos nomes ‘’marcantes’’ que por cá passaram, o que realmente importa é saber que cada um dos que cá passou e tem ficado guarda, aqui, a sua própria história – e todas as formas de a contar, da mesa de um café ao discurso-em-pódio num aniversário, são tão importantes como o arrumar de uma única forma nas linhas de um texto.

O carácter não profissional e universitário do TUP é, porventura, a sua mais-valia. Há espaço para rasgar com as convenções – às vezes tão presas como raízes – que o panorama teatral da cidade do Porto ainda teima em acarinhar, há amor na vontade de fazer como o TUP sabe e quer fazer. Para além de encenações colectivas e da apresentação de textos dramáticos de autores inéditos em Portugal, gostamos de criar a partir do que está cá dentro – desta casa, de nós, de quem está connosco. Será, acima de tudo, uma questão de verdade, da nossa verdade – porque o Teatro não tem de ser mentira.

Hoje, continuamos a apostar na formação, porque queremos ver o TUP crescer; queremos gente interessante de ver, que encha a casa do que tem para dar, que goste de dar mesmo quando faz ferida – que fique. E que, como disse José Rodrigues, escultor e antigo cenógrafo deste Teatro, siga connosco neste mote: «Alertar, não deixar ninguém esquecer. Lembrar, lembrar constantemente. E não perder a memória. Compete ao TUP ser uma espécie de despertador. Não agredir, despertar. Mostrar às pessoas que ser curioso é fundamental».